Mas já que eu te prometi (e calma, não esqueci) q não ia falar do vestibular, vamos falar sobre o que eu realmente vou falar. Acontece o seguinte, você pode discutir que Móveis (Coloniais de Acaju) é uma porcaria de banda, pode dizer que eles são uns alternativos fresquinhos estilo Los Hermanos (que eu odeio, aliás), que o vocalista é um hippie fedorento e que o hábito dele de usar a mesma camisa nuns 20 shows seguidos devia ser proibido por lei federal, quiçá emenda constitucional (com o que eu até concordo). Mas uma coisa que todo ser humano que vale o ar que ele respira deve achar e aceitar como verdade pura e absoluta é o seguinte: esses caras sabem fazer show. E foi exatamente isso que eles foram fazer nesse último domingo, junto com um tal de Gotan Project (sobre quem eu vou falar depois, relaxa).
O show do Móveis foi muito bom, mais pelo o que eu ouvi falar do que pelo o que eu ouvi, já que eu cheguei beeeem atrasado. Todas as faixas do Idem, como manda o script, e como exige a necessidade, já q é o único CD (single não conta) deles. Quando eu digo "todas", perceba que pode ter faltado uma ou duas, mas é umas de que ninguém sente falta (apesar de serem muito boas) tipo "Menina Moça" ou "Esquilo não Samba", não tanto porque elas não tem toda aquela verve fode-tudo-grita-pracaralho-e-se-preocupa-com-sua-garganta-amanhã das outras, mas mais ainda porque eles nunca tocam essas mesmo, então ninguém espera por elas. Além disso, as clássicas do Little Quail, "Família que Briga Unida Permanece Unida" e "1,2,3,4" tudo da cartilha. Fora do comum foram só as (inspiradíssimas) inclusões de "O Sol eu Não Sei", também do Little Quail (que eu sempre quis ver num show do Móveis e, infelizmente, perdi) e "Olha pro Céu" do Luiz Gonzaga (que tava tocando quando eu cheguei). Enfim, nada de excepcional, mas tudo muito bom, muito agradável, muito empolgável, como todo show do Móveis.
aisquer sobre uma embaixada qualquer enquanto o hino do Brasil, por um motivo qualquer, tocava no fundo. Tudo muito estranho, meio surrealista e dadaísta ao mesmo tempo, e por um momento eu desconfiei que tinha fumado uma e esquecido. Já ia furiosamente tecendo algum comentário negativo sobre a falta de qualidade das drogas de hoje em dia, que não só dão umas viagens cretinas (tipo o hino nacional tocado no meio de um show) como ainda te faz esquecer q tu tomou (ou fumou) elas e que, se tu esquece, qual o ponto de tomar (ou fumar), anyway. Mas seja o que for que a mulher tava fazendo no palco, ela terminou, o hino parou, eu me acalmei, e os pintas do Gotan Project entraram no palco. Troca de camisa, teu hippie!
Primeiro erro da noite: eu jurava q os rapazes eram argentinos! Mas não, veja só, são franceses, com um ou outro argentino escondido por ali. Bom, assim não preciso pagar pau pra argentino. Deus é justo. Aliás, já perceberam o anagrama?: tan-go... go-tan project... ahn!
Então, o show do Gotan Project. AH, o show do Gotan Project. Não esperem que eu fale que músicas eles tocaram aqui, porque mesmo q eu tenha 3 CDs dos caras no pc, e bote fé, e ouça um bom tanto, não dá pra reconhecer lá na hora. Só digo que os caras tocam pra cacete. E mixam pra cacete. E cantam pra cacete. E quando tu tá no meio da parada, balançando a cabeça, com os zoinho fechado, num domingo e de graça, você não quer nem saber se a porra da banda é argentina, francesa, cipriota, albanesa ou o raio que o parta, você só acha que o filhodaputa que teve a idéia de misturar tango com música eletrônica (e que fez a idéia dar certo, porque ter idéia até teu peixinho dourado tem) tem que ter um lugarzinho reservado no céu, bem a esquerda ali do seu Todo (poderoso, conhece?), porque se não tiver tu vai pro inferno, que lá no céu a galera não manja nada de música.
Tenta adivinhar quem é argentino e quem é francês aí
Enfim, foi uma apresentação ducaralho e de graça de uma banda ducaralho que provavelmente nunca mais vai tocar por essas bandas. Mas eu não pagava mais de 5 conto pra assistir. "Mas porque?!" você me pergunta. A resposta é simples: o lugar. É aí que entra o "não dá pra acertar todas": a embaixada da França, que não sei porque se engraçou de organizar a parada toda, decidiu por algum motivo que seria ferinha colocar tudo isso na Concha Acústica. Genial. O que eles fizeram foi simplesmente pegar uma banda que tem de se assistir em pé e uma que bão mesmo seria assistir sentado, e puseram pra tocar juntas num lugar que não dá pra se assistir nem em pé, nem sentado. No primeiro caso, no Móveis, aqueles bancos de cimento da concha acústica, uma área VIP (em show grátis, onde já se viu!?) quilométrica antes do povão em si, a aglomeração filhadaputa de esquemas 0800 em geral e a agitação das músicas criaram um tipo de esquema em que qualquer um que tenha conseguido ver os caras tocando, curtir a música apropriadamente (moshadas, pulos e afins) e não ter se machucado seriamente, pode ser apontado com segurança como o novo Messias. Sorte que eu cheguei tarde demais pra sofrer muito desse pega-pra-capar. Mas eu sofri com as péssimas condições do show dos francesinhos. Música muito boa, confere. Zoinho fechado, confere. Divagações sobre o céu e o inferno, confere. Companhia muito agradável, confere. Agora, ter que passar o tempo todo de um show (q tu veria sem prejuízos se tivesse sentado na porra de uma CADEIRA) em pé em cima de um pseudo-banco de cimento, vendo só metade de um telão (palco? vai sonhando...) e ainda por cima do lado da porra de uma barraquinha de bebida (pq os caras fizeram a parada grátis, mas nem se dignaram a CERCAR o lugar, REVISTAR a galera e talz. Foi abertão mesmo), é FODA.
Mas foi um excelente show de qualquer forma, pra fechar um excelente domingo (Cruzeiro 4x2 atlético). E em resumo é isso: Móveis: bom como sempre; Gotan Project: excelente como esperado; Concha Acústica: péssima idéia. Fazer o que né, não dá pra acertar todas. E ainda to tentando entender qual foi a do hino do Brasil...
PS: depois do show, um cara que tava lá com a gente caracterizou Gotan Project num adjetivo melhor do que eu nesse texto todo. "Cara, que banda picagrossa!"
