Dá-lhe pílula azul pra levantar esse blog...

27 de jun. de 2007

Não dá pra acertar todas

Relaxa, não vou falar do teu vestibular. Até porque, se eu fosse, o título ia ser "não dá pra errar todas", já que você chegou mais perto disso né? Fica triste não, você e meio mundo. Afinal, se não tivesse gente reprovada, não era vestibular né?

Mas já que eu te prometi (e calma, não esqueci) q não ia falar do vestibular, vamos falar sobre o que eu realmente vou falar. Acontece o seguinte, você pode discutir que Móveis (Coloniais de Acaju) é uma porcaria de banda, pode dizer que eles são uns alternativos fresquinhos estilo Los Hermanos (que eu odeio, aliás), que o vocalista é um hippie fedorento e que o hábito dele de usar a mesma camisa nuns 20 shows seguidos devia ser proibido por lei federal, quiçá emenda constitucional (com o que eu até concordo). Mas uma coisa que todo ser humano que vale o ar que ele respira deve achar e aceitar como verdade pura e absoluta é o seguinte: esses caras sabem fazer show. E foi exatamente isso que eles foram fazer nesse último domingo, junto com um tal de Gotan Project (sobre quem eu vou falar depois, relaxa).

O show do Móveis foi muito bom, mais pelo o que eu ouvi falar do que pelo o que eu ouvi, já que eu cheguei beeeem atrasado. Todas as faixas do Idem, como manda o script, e como exige a necessidade, já q é o único CD (single não conta) deles. Quando eu digo "todas", perceba que pode ter faltado uma ou duas, mas é umas de que ninguém sente falta (apesar de serem muito boas) tipo "Menina Moça" ou "Esquilo não Samba", não tanto porque elas não tem toda aquela verve fode-tudo-grita-pracaralho-e-se-preocupa-com-sua-garganta-amanhã das outras, mas mais ainda porque eles nunca tocam essas mesmo, então ninguém espera por elas. Além disso, as clássicas do Little Quail, "Família que Briga Unida Permanece Unida" e "1,2,3,4" tudo da cartilha. Fora do comum foram só as (inspiradíssimas) inclusões de "O Sol eu Não Sei", também do Little Quail (que eu sempre quis ver num show do Móveis e, infelizmente, perdi) e "Olha pro Céu" do Luiz Gonzaga (que tava tocando quando eu cheguei). Enfim, nada de excepcional, mas tudo muito bom, muito agradável, muito empolgável, como todo show do Móveis.

Depois da saída do decateto (isso existe?), uma mulher qualquer falou umas coisas quaisquer sobre uma embaixada qualquer enquanto o hino do Brasil, por um motivo qualquer, tocava no fundo. Tudo muito estranho, meio surrealista e dadaísta ao mesmo tempo, e por um momento eu desconfiei que tinha fumado uma e esquecido. Já ia furiosamente tecendo algum comentário negativo sobre a falta de qualidade das drogas de hoje em dia, que não só dão umas viagens cretinas (tipo o hino nacional tocado no meio de um show) como ainda te faz esquecer q tu tomou (ou fumou) elas e que, se tu esquece, qual o ponto de tomar (ou fumar), anyway. Mas seja o que for que a mulher tava fazendo no palco, ela terminou, o hino parou, eu me acalmei, e os pintas do Gotan Project entraram no palco.

Troca de camisa, teu hippie!


Primeiro erro da noite: eu jurava q os rapazes eram argentinos! Mas não, veja só, são franceses, com um ou outro argentino escondido por ali. Bom, assim não preciso pagar pau pra argentino. Deus é justo. Aliás, já perceberam o anagrama?: tan-go... go-tan project... ahn!


Então, o show do Gotan Project. AH, o show do Gotan Project. Não esperem que eu fale que músicas eles tocaram aqui, porque mesmo q eu tenha 3 CDs dos caras no pc, e bote fé, e ouça um bom tanto, não dá pra reconhecer lá na hora. Só digo que os caras tocam pra cacete. E mixam pra cacete. E cantam pra cacete. E quando tu tá no meio da parada, balançando a cabeça, com os zoinho fechado, num domingo e de graça, você não quer nem saber se a porra da banda é argentina, francesa, cipriota, albanesa ou o raio que o parta, você só acha que o filhodaputa que teve a idéia de misturar tango com música eletrônica (e que fez a idéia dar certo, porque ter idéia até teu peixinho dourado tem) tem que ter um lugarzinho reservado no céu, bem a esquerda ali do seu Todo (poderoso, conhece?), porque se não tiver tu vai pro inferno, que lá no céu a galera não manja nada de música.


Tenta adivinhar quem é argentino e quem é francês aí


Enfim, foi uma apresentação ducaralho e de graça de uma banda ducaralho que provavelmente nunca mais vai tocar por essas bandas. Mas eu não pagava mais de 5 conto pra assistir. "Mas porque?!" você me pergunta. A resposta é simples: o lugar. É aí que entra o "não dá pra acertar todas": a embaixada da França, que não sei porque se engraçou de organizar a parada toda, decidiu por algum motivo que seria ferinha colocar tudo isso na Concha Acústica. Genial. O que eles fizeram foi simplesmente pegar uma banda que tem de se assistir em pé e uma que bão mesmo seria assistir sentado, e puseram pra tocar juntas num lugar que não dá pra se assistir nem em pé, nem sentado. No primeiro caso, no Móveis, aqueles bancos de cimento da concha acústica, uma área VIP (em show grátis, onde já se viu!?) quilométrica antes do povão em si, a aglomeração filhadaputa de esquemas 0800 em geral e a agitação das músicas criaram um tipo de esquema em que qualquer um que tenha conseguido ver os caras tocando, curtir a música apropriadamente (moshadas, pulos e afins) e não ter se machucado seriamente, pode ser apontado com segurança como o novo Messias. Sorte que eu cheguei tarde demais pra sofrer muito desse pega-pra-capar. Mas eu sofri com as péssimas condições do show dos francesinhos. Música muito boa, confere. Zoinho fechado, confere. Divagações sobre o céu e o inferno, confere. Companhia muito agradável, confere. Agora, ter que passar o tempo todo de um show (q tu veria sem prejuízos se tivesse sentado na porra de uma CADEIRA) em pé em cima de um pseudo-banco de cimento, vendo só metade de um telão (palco? vai sonhando...) e ainda por cima do lado da porra de uma barraquinha de bebida (pq os caras fizeram a parada grátis, mas nem se dignaram a CERCAR o lugar, REVISTAR a galera e talz. Foi abertão mesmo), é FODA.

Mas foi um excelente show de qualquer forma, pra fechar um excelente domingo (Cruzeiro 4x2 atlético). E em resumo é isso: Móveis: bom como sempre; Gotan Project: excelente como esperado; Concha Acústica: péssima idéia. Fazer o que né, não dá pra acertar todas. E ainda to tentando entender qual foi a do hino do Brasil...



PS: depois do show, um cara que tava lá com a gente caracterizou Gotan Project num adjetivo melhor do que eu nesse texto todo. "Cara, que banda picagrossa!"

26 de jun. de 2007

Cap'n Jazz - Analphabetapolothology



Pois é, pra começar, pensei em dar uma dica de CD. É, o nome do álbum é isso tudo, Analphabetapolothology. Quer dizer, álbum não, é mais uma antologia (daí o "ology" no final, talvez?) das melhores músicas da porrada de CDs q a banda lançou no poquinho tempo que existiu. A Santa Wikipedia mostra um de seus raros lapsos de ignorância quando vc procura esse CD, e diz apenas "Analphabetapolothology is an Anthology album by Cap'n Jazz released in 1998.". Já sobre a banda ela é mais completinha: "Short-lived but highly influential, Cap'n Jazz helped transform emo from a deeply underground punk subgenre into a more widely accepted subset of indie rock." e mais alguns parágrafos sobre a história da banda. Eu sei o que voce tá pensando, que eu não deveria estar falando sobre um CD de uma banda que leva as palavras "emo" e "indie" na descrição, mas eles não tão falando de emo como simple plan, eles tão falando do emo raiz mesmo, que quase ninguem conhece (Coheed and Cambria, ouviram falar?), q é mto mais pesado, mais rápido e que mostra pq o nome emo-core vem de hardcore (tanto que eles chamam de "deeply underground punk subgenre"). Não que esse emo seja bom, continua uma porcaria na minha opinião, mas isso não impede que ESSA banda seja ducaralho. E eles são. Na real, o que os caras fazem é pegar 2 guitarras, uma bateria e um baixo (o bom e velho feijão com arroz), colocar num porão com uma porra de uma acústica HORRÍVEL, e tocar umas músicas rápidas, toscas, de uns 2 minutos e meio, em que o instrumental se resume a um constante barulho indistinto que serve de base prum vocal gritado e avacalhado. Tudo isso gravado no mp3 da tua irmã, sabe, aquele meio oval, de 100 conto da feirinha? Aí se vc já ouviu Anal Cunt começa a bater um medo, tipo "ah não, otra banda de grind rock com umas 500 músicas iguais e q tem umas letras q até seriam doidas se tu pudesse OUVIR alguma coisa". Não, mas a parada não é tão trash assim, o vocal é gritado mas é até melódico, as letras dá pra você entender se você souber (vagalume nelas!). E são bem legaizinhas tb. Lógico que você não vai ficar aguentando os dois CDs (sim, é album duplo) seguidos, mas sempre que você tá se sentindo mais garageiro, colocar umas duas ou três faz bem.
Destaques, na minha opinião, seriam as três primeiras músicas do 1ro CD, e a 13 desse mesmo (pra ser sincero, do 2ndo CD ouvi pouco). A primeira, Little League, começa com uns gritos que já dá pra tu sacar de colé da banda nos primeiros 30 segundos. Se não gostar nem se preocupa com o resto. Logo depois vem Oh Messy Life, que tem uma letra ducaralho ("Fire is motion/ work is repetition/this is my document/ we're all all we've done...") e só uns 2 minutos. A terceira é Puddle Splashers, na minha opinião a melhor, que tem uma letra muito boa também, e só uns 2 minutos também. Ela engana com um comecinho mais calmo, mas depois cai na boa gritaria das outras faixas. Só que o foda dessa é que ela tem uma guitarrinha mais distinguivel e mais elaborada, que faz meio q um crescendo muito sutil, e chega no ápice quando o rapaz grita "if we stand stil long enough/ the sun will move around us" pela terceira vez, parece, que é a parte mais doida do CD. Já a décima terceira é um cover muito bom de Take On Me, do A-ha, em que o cara grita em todas as vezes que o noruegues devia ter gritado, mas não gritou de viado que ele, no fundo no fundo, é (ouve "Touchy" e depois me diz que eu to errado). E ele tentando mandar o "in a day or two" é hilário.
Se tu não tiver paciência de baixar o CD inteiro, pega pelo menos essas 4 e ouve em sequência. Tem uma boa chance de vc não se decepcionar.

Bom...

Pra início de conversa, eu sei que esse papo de bloguezinho pessoal, como se fosse um diariozinho, é uma puta veadagem. Relaxa, esse não é meu objetivo. Só tava pensando hj como eu penso muito, e tiro muitas conclusões (erradas) e esqueço tudo no dia seguinte. Claro, eu posto quase diariamente no flog do povo la da sala mas nao eh a mesma coisa, lá eu não posso ficar divagando, comentando, e blabla, tento ser mais sucinto e... útil (??), porque afinal não é meu, é do povo. Então fiz isso daqui, e foi num excelente timing, porque é começo de férias, então a chance já altíssima de eu fazer com isso daqui o que fiz com os 3.000.000 de fotologs "paralelos" q eu criei (deletar em uma semana) é ainda maior. Faço minhas as palavras da Mariana (que tem um blog e, diferente de mim, uma desculpa pra ter um blog, uma vez q ela quer fazer jornalismo, E uma vez q ela é mulher): "Mais uma vez eu começo com essa história de blog. Acho que eu crio um a cada dia que me dá vontade de escrever, depois esqueço. Não vou prometer nada pra esse, muito provavelmente seu fim está tão próximo do seu nascimento que nem vale a pena comentar." Pois é. De qualquer forma, se eu tiver 1 comentário pra cada uma das poucas vezes que eu poste aqui antes de desistir, já vale. E não, eu não sei começar novos parágrafos...