Sex, Drugs and Viagra

Dá-lhe pílula azul pra levantar esse blog...

12 de nov. de 2007

Slint - Spiderland

Alguns meses depois do meu último post (comentários? esquece), aí vai uma dica de um puto cd.
E fodam-se as imagens q eu to com preguiça.

Slint - Spiderland




Em algum momento entre os anos 80 e 90 uns caras chaparam legal de ácido e decidiram pegar instrumentos de rock pra tocar "músicas" com objetivos não-roqueiros. Esses caras eram basicamente duas bandas: Talk Talk e Slint, e os CDs que eles gravaram nessa viagem de ácido acabaram por parir uma das crias bastardas mais bizarras do rock em geral: o post-rock. O recém nascido estilo, cuja criação é as vezes creditada como responsabilidade da banda Tortoise, também, teve como pedra angular os cds: Laughing Stock, do Talk Talk, e Spiderland, do Slint. Esse último, no entanto, tem o agravante de, além de ser o precursor de todo um estilo, ser provavelmente o CD mais filhodaputa que qualquer um já fez. Não diria o melhor (certamente um dos melhores) mas diria (de novo) com um sorriso no rosto: "o mais filhadaputa".
É basicamente o seguinte:

Um riffzinho tranquilo leva todo o CD, dando o tema sobre o qual as músicas vão ser trabalhadas. A voz no princípio é um murmúrio, e a bateria e a guitarra bem comportadas. Mas quem pensa que o álbum vai correr tranquilo, estilo Do Make Say Think ou outros Post-Rocks mais água-com-açúcar, se vê errado já nos primeiros minutos da faixa de abertura, Breadcrumb Trail.

Logo no começo da música a bateria se eleva, e a guitarra deixa de ser encarada como um instrumento e passa a se assemelhar muito mais com uma arma de destruição em massa, postura essa que dominará pro resto do CD. O vocal, antes murmurado, dá o primeiro sinal do que ele atingirá na última faixa. São as portas do inferno se abrindo pela primeira vez, só pra você dar uma olhadinha. E depois de uns 3 minutos de quebra-pau, volta o riff inicial, como se nada tivesse acontecido, como se as coisas fossem assim. Cinismo da melhor qualidade.

Segue Nosferatu Man, que se inicia com o mesmo tema geral, mas de um jeito bem mais pesado. As guitarras tão lá, não deixando pedra sobre pedra, e se a primeira faixa te levava ao inferno e de volta outra vez, essa te leva lá, expulsa satanás, te põe sentado na poltrona dele e te manda aquela piscadinha antes de ir embora (e te deixar lá, claro). A musica também é estruturada (como quase todo o CD) em momentos calmos e clímaxes, mas os momentos calmos são, digamos, tão calmos quanto vc fugindo de uma multidão de zumbis sanguinários num belo campo florido. E você corre, e olha pra trás, e corre desesperado das arremetidas de guitarras que querem porque querem partir sua cabeça em duas, até que...

"Don stepped outside"

Começa Don, Aman, com o tema geral de certa forma simplificado, e bem mais calmo que o da música anterior. Começa então a sequência das músicas calmas do CD. Essa primeira tem como destaque o incrível trabalho de cordas, que começa ali pelos dois minutos e via até fechar a faixa, na entrada de distorção mais inspirada da história.

Para a próxima faixa, Washer, talvez a segunda melhor do CD, a guitarra bota o Destruction Mode no off por uns momentos, e abre espaço para a única coisa que ainda faltava no CD: o vocal se sobressai, melodioso pela primeira vez, e a guitarra e a bateria se juntam pra formar a versão mais obscura daquele riff inicial. A música, arrastada, chorada e melodiosa, é a que mais se assemelha com o conceito usual de "música", ou seja, é a menos post-rock. Mas como o CD foi feito pra funcionar como uma música só, ela tem uma função prática: ela acalma de vez o instrumental furioso do começo do CD, e te faz esquecer das Guitarras de Destruição em Massa, que ainda se viam presentes na música anterior. Ou seja, essa faixa tá aí só pra te confundir, e faz isso de um jeito filhodaputa de bom. Isso até seu minuto final. Do nada, as guitarras voltam com força total, a bateria cresce de novo, e as portas do inferno ameaçam se mexer. Camadas e camadas de guitarras ultra-distorcidas giram e brincam e pulam, por míseros vinte segundos. Daí, a música volta ao normal. É só um (excelente) preview do que vem daqui a pouco

A quinta faixa, For Dinner..., é a música mais calma, e talvez o único ponto em que a banda falha. Não por ser calma, uma vez que as duas anteriores são calmas e excelentes, mas por falta de inspiração. A bateria, o instrumento mais evidente na faixa, se repete quase que o tempo todo, a guitarra é discretíssima, e entra as vezes nuns acordes inexpressivos que logo somem de novo. Mas a música é, felizmente, útil. Ela finalmente te convence que desistiram de abrir tua cabeça, o inferno e etc, e que daqui pra frente as músicas vão ser assim.

Ledo engano! Entra então a linha de baixo de Good Morning Mister Captain (a melhor música do CD), que na boa, o cara só pode ter escrito durante uma overdose de Viagra, ou similares. O baixo é ouvido significativamente pela primeira vez e, em parceria com a bateria, faz o tema geral. E isso é perfeito, porque deixa a guitarra se concentrar no único e derradeiro objetivo da destruição massiva. Ela entra em levadas assustadoras, e parece brigar com a bateria pela supremacia, enquanto o baixo destrói ao fundo, e o cara conta alguma estória mucho bizarra em primeiro plano. Logo de início, a guitarra tenta arremetidas mais ousadas, mas é rapidamente contida pela bateria, que prontamente se levanta em desafio. E a música segue num equilíbrio frágil, como um copo cheio até o topo. E cada grito desesperado das 6 cordas é como mais uma gota caindo.

Até que alguma coisa acontece e o equilíbrio vai pro saco. O vocal, subitamente, entra ao lado da guitarra, que insinua acordes mais agressivos. A bateria desiste, e entra do lado da guitarra também.O Baixo nisso some, e vocal, guitarra e bateria se lançam no clímax da música, do CD, da banda e, porque não, da história da música. O copo transborda, sua cabeça finalmente se parte, o inferno se abre e invade a terra. Criancinha famintas na África sendo estupradas, ursos polares comendo uns aos outros, a Holanda sendo submersa, Angra 1, 2 e 3 explodindo ao mesmo tempo, os Estados Unidos presenteando a Rússia com uma chuva nuclear e seu pai encochando sua vó. A guitarra ficou totalmente insana, e agora soa como se fossem 8, e não duas. Os acordes, sempre pontuados pelo prato da bateria sendo espancado e gritando por socorro, são tocados de tal maneira que você se pergunta se o objetivo dos caras é fazer música ou estourar cada porra de corda seus instrumentos. E, acima de tudo isso, o vocal se solta finalmente, e parece liberar toda a angústia acumulada nas outras faixas, simplesmente urrando "I MISS YOOOOOOOU" entre uma seção de guitarras e a outra, na maior demonstração de desespero musical que já se viu, com a possível (mas não provável) exceção de alguma performance dos nossos amigos Kurt Cobain (como na "Where did you sleep last night") e Ian Curtis (como na "New Dawn Fades").

A música então para, o CD acaba, e você tenta se convencer que tudo está no lugar que estava antes, mesmo sabendo que alguns milhares de neurônios que estavam a alguns minutos dentro da sua cabeça não estão mais em lugar nenhum. Daí só resta uma coisa, uma barreira, um limite a ser quebrado. Você TEM que ouvir esse CD com fones do ouvido. Ta duvidando disso tudo? Te fode e baixa aí

21 de ago. de 2007

Manu Chao - Clandestino

Estou para completar mais dois textos um pouco mais decentes, que já jáeu posto. Enquanto isso, fica essa dicazinha de CD. Ah, um PreScriptum (¬¬): nos últimos 3 posts eu tive 2 coments. Porque eu continuo postando? Quem sabe... tem certas coisas q a gente não questiona, aceita.


ô capinha cretina...

Tem gente que tem clara facilidade com algumas coisas. Enquanto aquele seu vizinho playboy tem uma inexplicável facilidade em, digamos, traçar todo mundo que você queria traçar, tem gente que tem facilidades menos úteis e divertidas, como por exemplo em línguas. Por Guimarães Rosa: “Falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituano, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do checo, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. Mas tudo mal. E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração”. Sinistro, não? Menos impressionante, porém mais inusitado (tendo em vista que, por ser escritor, é natural que Guimarães Rosa aprenda línguas) é esse sujeito chamado Manu Chao. Nascido na frança, filho de um galês com uma , morou um tempo na espanha, um tempo no reino unido e um tempo na américa do sul. Resultado: ele fala francês, inglês, espanhol, português, basco, árabe e gaélico. E usa todos esses idiomas nas músicas. Não só os idiomas, aliás, uma vez que essa grande variedade de lares o pôs em contato com diversas culturas, que ele aplica, além das línguas, no caldeirão de influências que caracteriza seus CDs.

Após deixar sua banda, Mano Negra, Manu se reuniu com vários artistas de vários países e fez meio que um tour pela América Latina, de barco, tocando nos diversos portos e tal. Uma coisa bem alternativa assim. O bom é que no final de tudo isso ele juntou vários momentos musicais dessa viagem toda, muita coisa boa que nasceu de um monte de gente incomum numa jornada incomum, e pôs nesse CD, Clandestino. Ele gravou, assim, um CD que é um coquetel de influências (e não de estilos, uma vez que ele acaba produzindo uma música meio distante de estilos no geral) e um bom bocado de músicas excelentes. As mais famosas do CD são a clássica Clandestino e a insana Bongo Bong, mas na minha opinião a melhor, de longe, é Desaparecido. Com um ritmo meio mexicano, uma letra meio mexicana, no sentido sombrero-bigodão-atravessador-ilegal-da-fronteira da palavra, e cantado em espanhol, destrói na seqüência de Clandestino, as duas melhores e já as duas primeiras faixas do CD. Vale a pena também conferir a música Minha Galera, a nº14, com uma excelente letra em português (“Ô minha maconha\Minha torcida\Minha querida\Minha galera\Minha cachoeira\Minha maloca\Minha larica\Minha cachaça\Minha cadeia\Minha vagabunda”).

Além disso, pro disco ficar ainda mais estranho, no começo de algumas músicas aparece a voz de Subcomandante Marcos, do EZLN, falando umas coisas sobre Zapatismo e etc. A repetição de frases e ritmos, e o uso de várias camadas de vozes é também uma constante no álbum e, junto com o fato de que 99% do CD é bem calmo, fazem dele um excelente background, apesar de ligeiramente chatinho de se ouvir quando não se está fazendo nada (com exceção das melhores músicas, como as duas primeiras).


Maldito subversivo!

Vale também, claro, um destaque à faixa 6, Lagrimas de Oro, com sua linda letra, que compensa um pouco pela... bem... inconseqüência das outras letras.

O valor do CD é, de certa forma, mutável. Como background para atividades variadas, é muito bom. Como background para, digamos, consumo de ervas entorpecentes ilícitas, é semi-perfeito. Para ouvir de fato só prestando atenção, o CD todo de uma vez pode ser um pouco chato. Mas seja qual for seu objetivo com ele, vale a pena baixar. Se não gostar, pelo menos é um contato com algo diferente. E fora que encontra-lo por aí é bem fácil (principalmente em torrents)

12 de ago. de 2007

Touro Indomável

Aviso: os seguintes comentários contém spoilers. Isso significa que revela coisas como o fato de que a Edwiges morre, o Harry casa com a Gina e o Roni com a Hermione no último Harry Potter (não que eu tenha lido, só ouvi por aí).
Todo mundo sabe que a Academia e seu gnominho de ouro não valem nada. Conservadorismo, foco comercial, pode até escolher seu motivo. É uma palhaçada o que eles fizeram com o Scorsese, não só por deixar ele anos e anos sem um Ocarzinho sequer como também finalmente entrega-lo a estatueta por um filme que, apesar de muito bom, foi bem menos expressivo que o resto do trabalho dele. Isso na mesma cerimônia, aliás, em que eles entregaram o Oscar (já a muito merecido, também) ao Ennio Morricone, e puseram a Celine Dion pra jogar a música dele na lama e pisar em cima. Tsc, tsc.

De qualquer forma, todo mundo sabe também que Scorsese é um excelente diretor. É uma daquelas verdades cinematográficas solidificadas, como o fato de que o melhor Bond é o Sean Connery: é do tipo de coisa que não se questiona, se aceita. E eu não sou diferente, não pretendo questionar, só pretendo fazer um ponto. E é o seguinte: ao longo de anos e anos, e filmes e filmes, Scorsese acabou criando para si um estilo (como todos criam, eventualmente). Não só um estilo de filmagem, de enfoque, com longas tomadas cheias de travelling, com diálogos imperfeitos, mais orgânicos, mais reais; mas também um estilo de estória. Se por um lado seu enfoque nas relações homem/mulher como algo paternal, violento, de “posse”, que acaba, invariavelmente, em brigas, drama, traição, decadência, é típico de época, e não “culpa” dele (como em Scarface [Brian dePalma] ou Poderoso Chefão 2 e 3 [Francis-Ford Copolla]), por outro lado ele cai num vício de estilo no roteiro de filmes como Touro Indomável.



Mas que timing!


O problema é o seguinte: Touro Indomável é basicamente sobre um cara, Robert deNiro, ladeado por seu amigo de fé (nesse caso, irmão), Joe Pesci, que sobe na vida porque, no fundo, é muito bom no que faz, só que acaba se envolvendo com mulheres da maneira supracitada, e acaba se fodendo no final por causa de sua teimosia e seu orgulho. Se você já viu Cassino, sabe que é exatamente a mesma coisa. Mesmo ator, mesmo plot básico, só muda ao ambiente: um no mundo do boxe, outro no mundo dos cassinos. Não que isso chegue a deixar o filme ruim, veja bem.

O elenco, talvez o maior trunfo do filme, dá um show. Cathy Moriarthy, com 19 aninhos, maravilhosa, faz a mulher que causa ciúmes doentios no personagem principal com uma segurança absurda. No papel de Jake La Motta, DeNiro dá um show, como de costume, e chega perto da obra prima que foi o Vito Corleone jovem, em Poderoso Chefão 2. Mas o principal destaque é seu irmão, interpretado por Joe Pesci. Tão invocado quanto ele mesmo em Cassino, Pesci é seguramente um dos melhores atores de todos os tempos, e é simplesmente incrível quando ele e DeNiro contracenam. Brigando com o elenco pela atenção do público, a direção dá seus travellings e cenas longas, e muito bem editadas (tanto que valeram um Oscar para a montadora), com direito a cenas geniais, como LaMotta sentado no escuro, ao invés de onde a luz incide, numa das cenas de maior intensidade no filme. E os diálogos, as falas, são talvez onde mais se evidencia o estilo do diretor e sua habilidade. Por um lado, as brigas soam sempre realistas, e a crescente loucura e o crescente ciúme do personagem principal são visíveis; por outro lado é muito difícil encontrar por aí uma coisa tão foda, tão épica, tão arrepiante, tão vervica quanto o La Motta dizendo “Ray, eu nunca cai! Você não me derrubou!”

ô baxinho bom de serviço

O estilo de estória de Scorsese, que por vezes nos irrita ao longo de Touro Indomável, por sua similaridade com outros filmes (sem, contudo, chegar a comprometer a qualidade do filme seriamente), se destaca por ser quase desesperador. Ao contrário da tendência do cinema atual, o personagem principal é um anti-herói. E não um anti-herói malandro e divertido, como um Jack Sparrow, que é anti-herói por estar do lado errado da lei, não do lado errado da moral, ou se do lado errado da moral, pelo menos com essa imoralidade sendo justificada e até humorizada pelo roteiro. Não, os anti-heróis Scorcesianos são realmente monstros asquerosos, inspiram repulsa e desprezo, e se junto com isso passa alguma compaixão ou identificação, isso é só devido ao fato de que você o acompanha por duas horas. Então, durante o filme, acompanhamos um canalha asqueroso e, principalmente, orgulhoso, destruir sua vida, suas oportunidades, seu casamento, suas amizades, por conta de seu temperamento filhodaputa. Problema atrás de problema, recaída atrás de recaída, vemos uma decadência absurda de campeão mundial de boxe para abridor do show de uma stripper velha. O ponto menos assustador desse filme é que, pelo menos, uma boa parte do que ele se fode é por causa de alguma espécia de deus ex-machina, ou em outras palavras, azar mesmo, e não por causa das atitudes dele. E de certa forma, tirando o campo sempre perdido das relações “amorosas”, La Motta até que se dá bem no final. Final, aliás, que é épico. Talvez só não tanto quanto como o clássico começo

1 de ago. de 2007

Figurines - Skeleton

PRA INÍCIO DE CONVERSA, LEIAM O EDITORIAL LÁ EMBAIXO!!! O TEXTO:


Esses dinamarqueses (sim, existe música na Dinamarca) se juntaram ali em algum ponto dos anos 90, e mandaram seu primeiro CD, Shake a Mountain, em 2005. Esse é daqueles CDs que você tem que pôr seu soulseek (ou emule, ou torrent) pra suar se vc quiser pegar umas duas ou três músicas (o CD inteiro, esquece). Nada que valha muito a pena não, musiquinhas legais mas nada que ninguém não-dinamarquês e mais acessível via pirataria na internet não tenha feio antes (se vc realmente quiser, olha no site dos caras que tem umas duas pra baixar lá). Aí passou o tempo, saiu um integrante, entrou outro e a banda lançou esse rapaz da foto aí, ó, o Skeleton.

Muito menos obscuro (dá pra achar o CD inteiro), esse segundo CD foge do básico água-com-açúcar já-to-cansado-de-ouvir tipo de música do primeiro, sem no entanto cair no experimentalismo, no sentido artê (e nojento) da palavra. Músicas bem mais variadas cobrem tudo aquilo que um bom álbum tem que ter: as baladinhas (sendo uma delas a primeira música), as mais rapidinhas, as mais pesadas, as com uma letra ducaralho, as com uma melodia ducaralho, tá tudo lá. E o trunfo do álbum é por aí mesmo: ele cobre todas essas, digamos, necessidades musicais, sem perder a coesão. É como se fosse um álbum conceitual, daqueles que parecem uma música só, ou então leva o mesmo tema em todas as faixas, só que sem a parte que enche o saco: que todas as músicas são iguais e falam a mesma coisa. Isso porque as faixas, apesar de serem diferentes (porque não me entendam mal, ele não é um álbum conceitual), evocam basicamente o mesmo sentimento. Algo ali, entre o conforto e a nostalgia, sabe como é? Não que soe familiar, nem fodendo, não é nem um pouco familiar, é até... estranho. Mas de alguma forma essas músicas estranhas te pegam de um jeito aconchegante (Conseguiram entender a “teoria”? Não me culpem, culpem o crack). E na segunda vez que tu houve já é quase impossível não acompanhar as partes mais repetidas das letras, como o “and we’ll party together” da Silver Ponds, ou o “you know it takes time to get it together for a long time” da The Wonder (e se vc conseguir cantar as músicas desse CD sem ficar igualzinho aquela menina retardada do Páginas da Vida, eu processo o médico que esqueceu de declarar tua morte cerebral)

Eu poderia muito bem dizer que essas duas são das músicas mais filhadaputamente boas do CD, mas ai é que entra outra qualidade dele: a consistência. Mesmo sendo as mais variadas (Race You e seu tempo semi-acordado, a levada country de “Ambush” e “Ghost Towns”, o refrão cáustico de “All Night”, a nostalgia ao cubo de “Silver Ponds”...), todas as músicas são simplesmente excelentes, e eu não ia conseguir escolher uma favorita nem que me apontassem uma 12 na cabeça (embora se esse fosse o caso eu provavelmente mentiria). Quer tentar escolher você mesmo? Baixa ai. E depois me diz o que achou.

Obsque eu havia escrito pra mim mesmo ao fim do texto: aumentar parágrafo sobre as faixas, quando mais empolgado. É, não deu...

Espia!

Hão todos de concordar comigo que este blog não representa, de maneira alguma, um exemplo de qualquer forma de jornalismo, que diria de jornalismo válido. Tudo bem, uma vez que não existe esse tipo de pretensão de minha parte. Mas é de me surpreender as opiniões e idéias expressas por aí de vez em quando por gente que, no conceito geral da palavra, praticam jornalismo.

Devo avisá-los, logo de cara, que este texto será inconvenientemente longo, e com muito mais citações do que meu professor de redação ensinou que um texto pode ter, mas levando-se em conta meu objetivo com este, tal excesso se faz necessário. Prometo que esse tamanho e, principalmente, essa inclinação a assuntos políticos, não se repetirá por aqui por um bom tempo. Estando avisados, continuo o texto em si.

Estava passando por minha habitual folheada na Veja, que eu acabei descobrindo ser, para a infelicidade da minha consistência de argumentação, da semana anterior [N do E: isso foi quando esse texto foi escrito, agora esse artigo já tá um pouquinho mais atrasado], quando fui surpreendido por um curioso título do artigo de Reinaldo Azevedo: “A Al Qaeda eletrônica” (pág 102/3, edição de 20 de junho). Instigado pelo título e pela imagem ilustrativa (dois terroristas islâmicos cujas cabeças foram substituídas por monitores, nos quais se vê a estrela vermelha “do PT”, fora um mouse cujo fio queima como o pavio de uma bomba, no primeiro plano (é impressão minha ou essa imagem tem simplesmente informação demais?) comecei a leitura do artigo.

Mais alguns esclarecimentos aqui se fazem necessários. Primeiro, de forma alguma estou dizendo que Reinaldo Azevedo seja um jornalista de baixa qualidade. Pelo contrário, seu trabalho com palavras é excelente, e não é a toa que ele tem duas páginas da revista de maior circulação no país ao seu dispor. Além disso, o fato dele citar em seu artigo pensadores como Tocqueville, Spinoza, Merquior, é uma prova, mais do que desnecessária, de que ele é muito mais teoricamente capacitado que eu. Não que eu nunca tenha ouvido falar do nome desses caras, mas confesso que não faço a MENOR idéia de quem seja qualquer um deles. Critico e questiono, antes, as opiniões no mínimo fascistas que ele expõe em seu texto.

Acompanhem: “’Quem você pensa que é?’ Nos tempos pré-Veja, essa era a pergunta com a qual as esquerdas pretendiam me fulminar. [...] Há um prazer particular em não ser ninguém e flagrar, por exemplo, a pensadora petista Marilena Chauí pulando a cerca que separa o filósofo holandês Spinoza do vândalo venezuelano Hugo Chávez.O primeiro é um dos pilares do debate ético;o segundo é só um ditador cômico e violento.”. Fenômeno curioso esse catalisado pela Veja, pela Globo, etc. que faz a palavra “esquerda”se tornar algo muito próximo da expressão “grupo terrorista”. Veja você, por exemplo, o título do artigo aqui criticado, que não me deixa mentir. Ou melhor ainda, usando a definição que o próprio Reinaldo Azevedo dá nesse próprio texto, “[...]o nosso esquerdismo, a doença infantil da civilização[...]”. Não sei porque, mas essa frase me soa como algo proveniente do fim do século 18. E o mais estranho é que quase ninguém que lê isso acha um absurdo. Estamos acostumados com o direitismo exacerbado, como se a esquerda fosse um mal. Daqui a pouco estaremos rezando na igreja para que Deus nos livre dos comunistas, que são, afinal, nada além de comedores de criancinhas. E o pior é que, como sempre, quase ninguém ia se preocupar com isso, ou achar um absurdo. Acontece que, no Brasil, país de inversos, a mídia controla o povo ao invés do povo controlar a mídia.

"as zelites" da mídia brasileira

Ainda sobre o mesmo trecho, eu me surpreenderia se soubesse que ainda existe uma inocente alma nesse país que acredita em tudo que a Veja diz sobre Hugo Chávez. Não que eu esteja defendendo o ditador (que ele, afinal, é), ou dizendo que a ditadura dele é o melhor para o país, ou muito menos concordando com a Egocracia que ele instalou na Venezuela. Pelo contrário, uma das coisas que eu mais sou contra quando diz respeito à política é Egocracia. No entanto, a Veja, e a mídia brasileira mainstream no geral, insiste em tratar Chávez como um idiota bruto que só se mantém no poder pela violência, e nem me pergunte como ele chegou lá, já que em discursos, administração e tudo mais, ele sempre se prova ser despreparado e, simplesmente, ignorante mesmo. Que é, por sinal, o mesmo jeito que eles tratam qualquer presidente de esquerda. Pense em Lula, Kirchner, Chávez, Morales, Castro. Até involuntariamente, nos surge a mente imagens de loucos incompetentes, ladrões. E se você pensa que a imprensa não é capaz de manipular a imagem de alguém dessa maneira, basta lembrar do já mundialmente famoso caso da Globo nas eleições de 94. A pergunta é a seguinte: como será que pessoas tão despreparadas chegam a um posto de governante de um país? Se eles são tão ruins para a população, como conseguem tanto apoio popular? Como conseguem ficar no poder por tanto tempo (Lula, por exemplo, vai ficar 8 anos, e se dependesse do povo e não das leis, ficava mais 4, pelo menos. Fidel está no poder a muitas, muitas décadas). Lógico que há repressão, lógico que há manipulação das massas, mas até mesmo Vargas, que foi um dos mais competentes da história em termos de se manter no poder, de populismo e de manipulação do proletariado, teve o controle por 15 anos, contando com o governo constitucional, ou seja, muito menos que Fidel. Mas o povo brasileiro não vê o apoio popular, não vê as manifestações a favor do fechamento da RCTV, não vê o povo pobre de Cuba, que é favorecido pelo governo socialista e o apóia. Nós vemos apenas um ou outro esportista que foge da delegação de Cuba porque, claro, ser rico num país socialista não tem graça. Nós vemos só as fotos do Chávez de uniforme militar, e outras demonstrações do quão Egocrata é seu governo.

"Meu blog tornou-se um Diário da Invasão da reitoria da USP. Passei a publicar textos de alunos e professores que queriam aula e se opunham à violência dos remelentos e mafaldinhas, os comunistas do Sucrilho e do Todynho. [...] Querem me sufocar com mensagens favoráveis aos vândalos, cobrando o que chamam a 'sua [minha] democracia'.Ocorre que a minha democracia, que é a universal, não solapa as bases que garantem sua legitimidade". O jornalista acusa o movimento desocupação da reitoria da USP de um movimento de "esquerda" (a palavrinha mágica novamente), e pior ainda, de uma esquerda pueril, mesmo quando a a manifestação teve por causa a terceirização de serviços , o corte de investimentos, e a maneira ridícula com que o (tucano) Serra administra a questão educacional em SP. O único princípio do comunismo (marxista) aí observado é o da revolta, o da mudança violenta, no lugar de discussões diplomáticas infrutíferas para se obter reformas inócuas, como manda a direita. Todo o intelectualismo conservador brasileiro, toda a mídia reacionária (Veja, Globo, e todas as outras, praticamente), pregam veladamente, escondido sobre a máscara do reformismo, da social-democracia, uma manutenção virtualmente eterna das péssimas condições sociais, das desigualdades. E caem o tempo todo numa absurda contradição, ao anunciar edição após edição o estado irrecuperável em que se encontra o Brasil e o mundo. A verdade é que, longe de querer fazer algo para recuperar essa situação, eles repetem o diálogo liberalista proto-burguês de liberdade através da democracia e democracia através do capitalismo, para buscar manter as elites onde elas estão e o povo onde ele está, este acreditando que a qualquer momento alguém vai, de dentro do mecanismo democrático-capitalista, acabar com as desigualdades sociais. Veja novamente esse trecho do texto "Ocorre que a minha democracia, que é a universal, não solapa as bases que garantem sua legitimidade". Que democracia é essa, a universal? A democracia da crise aérea, do mensalão, dos rebanhos “superprodutivos”, dos ACM? E quais são essas bases que garantem sua legitimidade? A ilusão da escolha popular, a escolha alienada de massas manipuladas e analfabetas? Me remete, novamente, a discursos de teóricos como Locke. Realmente acho que estamos voltando ao século dezoito.

Reinaldo continua, então, apontando perigosos movimentos de “esquerda”, e deixa finalmente claro o porque do título (A Al Qaeda eletrônica): “Os integrantes da Al Qaeda eletrônica não se contentam só com o envio de mensagens desaforadas: criam páginas anônimas só para esculhambar aqueles que não gostam; formam comunidades no site de relacionamentos Orkut para odiar pessoa; ressuscitam o hábito nativo de especular sobre a orientação sexual de desafetos[...]”. Acho que me perdi por um momento, desde quando “especular sobre a orientação sexual de desafetos” é exclusividade da esquerda? E comunidades no orkut? Será que esse é o novo caminho para a revolução e eu não fiquei sabendo? Quer dizer, pro inferno com a dialética materialista, com a conscientização das massas, com o momento histórico, com a análise de conjuntura, meu Deus, como ninguém viu isso antes, o caminho para uma sociedade comum e igualitária é criar comunidades no orkut para chamar direitistas de veados! E sem contar, claro, que se você parar para pensar sobre isso, alguns jornalistas de direita como Diogo Mainardi e o próprio Reinaldo Azevedo nada mais fazem a não ser “criar páginas anônimas só para esculhambar aqueles que não gostam”, com a pequena diferença que as páginas em questão são de revista, não na internet, e que esse desserviço não é anônimo. “Os blogs, até pouco tempo atrás, eram um território quase exclusivo do que os vários matizes da esquerda chamam ‘direita’”. “Ela não se contenta em ser uma leitura da realidade [...] de modo que ou você passa a integrar essa metafísica influente ou é um ‘reacionário’. Foi com esse adjetivo que uma jornalista classificou uma manifestação na USP contrária à invasão”. É evidente, não só nessa parte como em todo o texto, que viemos acompanhando por um bom tempo agora, o uso da onipotente e onipresente palavra “esquerda”. Então porque essa resistência quanto à palavra “direita”? A esquerda é discriminada desde o princípio, como um grupo evidente e distinto. Já “direita” parece ser um termo cunhado pela maldita esquerda para se referir a estes pobres jornalistas que, afinal de contas, só defendem sua universal democracia, com os diabos! E quanto à classificação da jornalista, é questão de lógica: há uma situação, contrária a ela é a revolução, contrária a essa revolução é uma reação dessa situação. Portanto, reacionária. E, afinal, como alguém que escreve um texto como esse não quer ser classificado como direitista e reacionário?

reaça!!!

O problema não está na reclamação. O ponto de vista, a crítica, procedem sempre. Com certeza deve existir a tal Al Qaeda eletrônica, uma esquerda virulenta. O problema é que a mídia brasileira usa as palavras de forma a associar essa esquerda, a esquerda virulenta, a esquerda petista, a esquerda falida, com todo e qualquer movimento de esquerda. Eles selecionam dados, fazem associações descabidas, apelam pra (já um tanto obsoleta) democracia. Como fazem os Estados Unidos em sua cruzada ridícula contra os terroristas, em que fica claro um interesse mesquinho e egoísta, e não do bem público, fazem os jornalistas deste país. Só que em vez de deixar a população livre de “grupos terroristas”, eles nos salvam da maldita “esquerda”. Se bem que, ultimamente, essas expressões são tidas como coisas muito próximas. Infelizmente. a melhor do pa defendendo o cara, ou dizendo que a ditadura dele da existe uma inocente alma nesse pa da minha consist

PS: Assistam "A Revolução Não Será Televiosionada"
PPS: Fico meio impreciso e pseudo-esquerdista o texto né? Te fode, isso não é jornalismo, como já foi muito bem observado por mim mesmo no começo do texto.
PPPS: leiam o editorial ae embaixo, ó:

Editorial... de novo! Sobre atrasos.

Pois é, outro dia mesmo eu tava mandando aí um editorial, dizendo como eu era um mal blogueiro e fazendo promessas. "Projetos faraônicos", diria a oposição fictícia de L.F. Veríssimo numa crônica qualquer aí. Mas não, relaxem, não são projetos faraônicos. Tem uma boa leva de textos vindo aí, sim, só que a NET fez o favor de deixar atrasar mais de 2 semanas o pedido de internet pra minha casa nova, então atrasei um pouco...
Mas pra provar que é verdade, seguem aí dois textos já previamente escritos, que não pude postar antes por motivo de NET maior: um texto grandão e meio bolchevista e um comentáriozinho rápido sobre um CD. E falando em Veríssimo, prometo que quando acabar o Incidente em Antares (do Erico Verissimo) eu comento alguma coisa por aqui. Ademais, obrigado pela leitura

Atenciosamente e agradecidamente,

O Editor

20 de jul. de 2007

Justin Timberlake – Future Love/Sex Sounds (porque todo site tem sua era sombria)

Nota puramente editorial: Nesse site (não, isso não é um blog, são eles que querem que você pense assim), é da intenção de todo o staff (eu) de prover aos leitores material não só de qualidade (duvidosa), mas também amostras de trabalho (pseudo) jornalístico que exploram sempre novas fronteiras e possibilidades. É por isso que:
1- Você está vendo aqui a crítica de um CD altamente hypado, de um cara altamente mainstream, e que, principalmente, eu nunca ouvi inteiro
2- Está sendo aqui submetido o esqueleto do trabalho de outrem, devidamente revisado, editado e moldado por minha pessoa para atender aos exigentissíssimos padrões de qualidade desse site. Explico, a primeira parte do texto, a “abertura”, é basicamente minha, usando a base de idéias do texto original (do Henrique). A segunda parte, que trata do CD e das músicas em si, é basicamente dele, com um retoque meu aqui ou ali, e algumas idéias e piadinhas cretinas minhas inseridas, e algumas opiniões dele sumariamente omitidas, uma vez que esse site tem uma certa postura alternativa (no sentido menos indie-mod-vidadinho da palavra) para zelar.
Tendo sido esclarecido esses pontos, segue-lhes enfim o texto:



Texto em si: Na resenha que segue, buscaremos: desenvolver uma crítica sagaz e pertinente sobre o CD supracitado, comentar o movimento oscilatório da carreira “musical” de Justin Timberlake, subir uma escada e, finalmente, mascar chicletes, tudo ao mesmo tempo. Portanto, aqueles cardíacos ou fracos dos nervos, por favor, parem a leitura por aqui. Aqueles bravos o suficiente, ao próximo parágrafo!
Bom, para início de conversa (e de carreira), voltemos ao milênio passado, àqueles nebulosos anos noventa, e um dos mais assustadoramente nebulosos estilos musicais até agora existentes: as “Boy Bands”. Pois é, achou que eu tava brincando quando avisei os cardíacos e fracos né? Pode parar de ler agora, se quiser. Prometo que não conto pra ninguém.
Então, década de noventa, 4 ou 5 garotos bem apessoados, bem vestidos (leia-se: vestidos com roupas caras), MUITO bem pagos, e que faziam um incrível sucesso com a mulherada, talvez por se parecerem muito com elas, enfim, Boy Bands. Infelizmente para alguns, e felizmente para a raça humana, os garotos “cresceram”, ou as fãs “cresceram”, ou bateu um medo da retribuição divina, quem sabe? O fato é que as boy-bands minguaram, minguaram e desapareceram. Acontece que uma dessas filiais do infer... quer dizer, boy-bands, ao morrer, expeliu uma bizarra cria de suas entranhas. E assim, misturando tom de pele bem claro e rosto de menininha com músicas falando de sexo e “atitude” e “ritmo” meio negão-gangsta, nasceu a carreira solo do Justin Timberlake, da carcaça putrefata do que um dia (infelizmente) fora o N’Sync.

Quem tem um passado obscuro levanta a mão


Dando um ligeiro Fast Forward, passando por um ou outro Grammy, uns clipes de músicas muito ruins cheio de mulheres muito boas, e saindo finalmente do tipo ta-beleza-já-to-cansado-de-saber-tudo-isso-fala-da-porra-do-cd-logo de assunto, temos o Future Love/Sex Sounds, que segue basicamente assim:
O CD começa com a musica homônima, que segue mt boa, no final começa a dar uma enjoadinha, mas dá pra curtir. Seguindo, o primeiro Hit do álbum, “Sexyback”. Essa é hitzinho de rádio, de academia, e de festinhas indie-cool por aí, e se todo mundo gosta (pelo menos na hora de dançar a parada) eu não vo contestar. A terceira faixa é “Sexy Ladies”. Péssima, não tem nem o q ser dito, ele pegou a parte enjoadinha da primeira musica e fez uma faixa só com ela. No final dessa 3ª ele anuncia a subseqüente com um coro bem “gangsta rap” quase comovente (“My love! MyLove!”). Pois eh outro hitzinho q, convenhamos, jah encheu o saco. Segue então como quinta música,“Love Stoned” que eh... dispensável. Talvez em outro cd daria certo, quem sabe? Para a sexta faixa uma surpresa: um outro hit! Eh isso mesmo, 3 hits em um álbum, ou melhor, em 6 faixas! “Noooossa, Justin, como você é vendável! Pó isso você ganha tantos Grammies!” Então vem “What goes around... comes around”, o trunfo dessa porcaria, a unica musica realmente boa! Puxadinha bem black, que graças a deus não se deixa cair nesses hip hop que são maniazinha hoje em dia, com graves demais e agudos engraçadinhos que, na real, só deixam o “cantor” com cara de babaca. Pelo contrário, a música usa os agudos muito bem, mantém a música mais num pitch intermediário, e nem pensa nos graves hypados. Além disso a letra é... regularzinha, o ritmo é cabuloso de dançável e o clipe, bom, é com a Scarlett Johansson... Depois vem “Chop Me Up”, que num fede nem cheira, principalmente depois da música realmente boa do CD.


ô beleza de clipe, meu deus...

Bom o Will.I.am entro na parada pra essa oitava musica, “Damn Girl”, que pra ser uma boa música só faltava letra. E ritmo, e melodia... sério, colocar “feat Will.I.am” não deixa uma musica boa, nem nesse mundo musical hiphopeado de hoje em dia. E o trabalho dele poderia ter sido bem melhor também, quer dizer, ele é o cabeça do Black Eyed Peas, que é (infelizmente) a mais “badalada” banda de coisas funkies e dançantes hoje em dia... ele deveria saber fazer uma música pelo menos dançável. Pelo amor de Deus, um pouquinho de seriedade aqui, broder!.
Segue “Summer Love” (eh... jah deu de Love, beleza? Pegamos a idéia!). Essa musica eh assim: pegue um daqueles containeres de plástico (sabe aqueles que de vez em quando você coloca birita e gelo dentro? Esses mesmos) e batuque nele uma base meio hip-hop; pegue um esquilo e torça com c fosse roupa molhada sabe (pois é, os supracitados graves exagerados e agudos cretinos); faz um letrinha pasteurizada estilo “gangsta love”, e pronto!
Depois disso só tem mais três músicas, que são iguais umas às outras e péssimas. São elas: “Until The End Of Time” e… ah, esquece, você não vai gostar delas, confie em mim.
Enfim, embora tenha uma ou outra música ouvível (e, principalmente, dançável) seja um, digamos, “Grammy Material”, e tenha uma música realmente foda (acho q já deu pra captar qual é), o conjunto da obra é, digamos, comparável aos seus tempos de N’Sync. Maaaaas, como nesse site nós primamos pela parcialidade (não, eu não esqueci o “im”) e não hesitamos em congratular qualquer um que consiga obter dinheiro e mulheres (sinônimos? Talvez...) com um mínimo de esforço, seja seu trabalho artisticamente válido ou não, aí vai a nossa teoria: Odeie a mensagem mas não odeie o mensageiro. Pq se o cara saiu da Disney, virou N’sync, fez muito cd ruim, e era visto como bicha por toda a população masculina, e ainda o é por boa parte dela e, ainda assim: traçou a Britney Lanças (quando ela tinha cabelo e sanidade) e tem grana pra fazer a Scarlet Johanson se esfregar nele por 7 minutos vestindo quase nada, meus senhores ele sabe algo q nós, infelizmente, não sabemos. E se pra colocar isso em prática ele tem que lançar uns cds no mínimo instáveis, bem, é como o velho Nicolau já dizia: os fins justificam os meios.


Por isso eu digo que integridade artística é para os fracos



Colaboração: Henrique Cleto Carneiro