Devo avisá-los, logo de cara, que este texto será inconvenientemente longo, e com muito mais citações do que meu professor de redação ensinou que um texto pode ter, mas levando-se em conta meu objetivo com este, tal excesso se faz necessário. Prometo que esse tamanho e, principalmente, essa inclinação a assuntos políticos, não se repetirá por aqui por um bom tempo. Estando avisados, continuo o texto em si.
Estava passando por minha habitual folheada na Veja, que eu acabei descobrindo ser, para a infelicidade da minha consistência de argumentação, da semana anterior [N do E: isso foi quando esse texto foi escrito, agora esse artigo já tá um pouquinho mais atrasado], quando fui surpreendido por um curioso título do artigo de Reinaldo Azevedo: “A Al Qaeda eletrônica” (pág 102/3, edição de 20 de junho). Instigado pelo título e pela imagem ilustrativa (dois terroristas islâmicos cujas cabeças foram substituídas por monitores, nos quais se vê a estrela vermelha “do PT”, fora um mouse cujo fio queima como o pavio de uma bomba, no primeiro plano (é impressão minha ou essa imagem tem simplesmente informação demais?) comecei a leitura do artigo.
Mais alguns esclarecimentos aqui se fazem necessários. Primeiro, de forma alguma estou dizendo que Reinaldo Azevedo seja um jornalista de baixa qualidade. Pelo contrário, seu trabalho com palavras é excelente, e não é a toa que ele tem duas páginas da revista de maior circulação no país ao seu dispor. Além disso, o fato dele citar em seu artigo pensadores como Tocqueville, Spinoza, Merquior, é uma prova, mais do que desnecessária, de que ele é muito mais teoricamente capacitado que eu. Não que eu nunca tenha ouvido falar do nome desses caras, mas confesso que não faço a MENOR idéia de quem seja qualquer um deles. Critico e questiono, antes, as opiniões no mínimo fascistas que ele expõe em seu texto.
porque, mas essa frase me soa como algo proveniente do fim do século 18. E o mais estranho é que quase ninguém que lê isso acha um absurdo. Estamos acostumados com o direitismo exacerbado, como se a esquerda fosse um mal. Daqui a pouco estaremos rezando na igreja para que Deus nos livre dos comunistas, que são, afinal, nada além de comedores de criancinhas. E o pior é que, como sempre, quase ninguém ia se preocupar com isso, ou achar um absurdo. Acontece que, no Brasil, país de inversos, a mídia controla o povo ao invés do povo controlar a mídia."as zelites" da mídia brasileira
Ainda sobre o mesmo trecho, eu me surpreenderia se soubesse que ainda existe uma inocente alma nesse país que acredita em tudo que a Veja diz sobre Hugo Chávez. Não que eu esteja defendendo o ditador (que ele, afinal, é), ou dizendo que a ditadura dele é o melhor para o país, ou muito menos concordando com a Egocracia que ele instalou na Venezuela. Pelo contrário, uma das coisas que eu mais sou contra quando diz respeito à política é Egocracia. No entanto, a Veja, e a mídia brasileira mainstream no geral, insiste
"Meu blog tornou-se um Diário da Invasão da reitoria da USP. Passei a publicar textos de alunos e professores que queriam aula e se opunham à violência dos remelentos e mafaldinhas, os comunistas do Sucrilho e do Todynho. [...] Querem me sufocar com mensagens favoráveis aos vândalos, cobrando o que chamam a 'sua [minha] democracia'.Ocorre que a minha democracia, que é a universal, não solapa as bases que garantem sua legitimidade". O jornalista acusa o movimento desocupação da reitoria da USP de um movimento de "esquerda" (a palavrinha mágica novamente), e pior ainda, de uma esquerda pueril, mesmo quando a a manifestação teve por causa a terceirização de serviços , o corte de investimentos, e a maneira ridícula com que o (tucano) Serra administra a questão educacional
Reinaldo continua, então, apontando perigosos movimentos de “esquerda”, e deixa finalmente claro o porque do título (A Al Qaeda eletrônica): “Os integrantes da Al Qaeda eletrônica não se contentam só com o envio de mensagens desaforadas: criam páginas anônimas só para esculhambar aqueles que não gostam; formam comunidades no site de relacionamentos Orkut para odiar pessoa; ressuscitam o hábito nativo de especular sobre a orientação sexual de desafetos[...]”. Acho que me perdi por um momento, desde quando “especular sobre a orientação sexual de desafetos” é exclusividade da esquerda? E comunidades no orkut? Será que esse é o novo caminho para a revolução e eu não fiquei sabendo? Quer dizer, pro inferno com a dialética materialista, com a conscientização das massas, com o momento histórico, com a análise de conjuntura, meu Deus, como ninguém viu isso antes, o caminho para uma sociedade comum e igualitária é criar comunidades no orkut para chamar direitistas de veados! E sem contar, claro, que se você parar para pensar sobre isso, alguns jornalistas de direita como Diogo Mainardi e o próprio Reinaldo Azevedo nada mais fazem a não ser “criar páginas anônimas só para esculhambar aqueles que não gostam”, com a pequena diferença que as páginas em questão são de revista, não na internet, e que esse desserviço não é anônimo. “Os blogs, até pouco tempo atrás, eram um território quase exclusivo do que os vários matizes da esquerda chamam ‘direita’”. “Ela não se contenta em ser uma leitura da realidade [...] de modo que ou você passa a integrar essa metafísica influente ou é um ‘reacionário’. Foi com esse adjetivo que uma jornalista classificou uma manifestação na USP contrária à invasão”. É evidente, não só nessa parte como em todo o texto, que viemos acompanhando por um bom tempo agora, o uso da onipotente e onipresente palavra “esquerda”. Então porque essa resistência quanto à palavra “direita”? A esquerda é discriminada desde o princípio, como um grupo evidente e distinto. Já “direita” parece ser um termo cunhado pela maldita esquerda para se
referir a estes pobres jornalistas que, afinal de contas, só defendem sua universal democracia, com os diabos! E quanto à classificação da jornalista, é questão de lógica: há uma situação, contrária a ela é a revolução, contrária a essa revolução é uma reação dessa situação. Portanto, reacionária. E, afinal, como alguém que escreve um texto como esse não quer ser classificado como direitista e reacionário?
reaça!!!
O problema não está na reclamação. O ponto de vista, a crítica, procedem sempre. Com certeza deve existir a tal Al Qaeda eletrônica, uma esquerda virulenta. O problema é que a mídia brasileira usa as palavras de forma a associar essa esquerda, a esquerda virulenta, a esquerda petista, a esquerda falida, com todo e qualquer movimento de esquerda. Eles selecionam dados, fazem associações descabidas, apelam pra (já um tanto obsoleta) democracia. Como fazem os Estados Unidos em sua cruzada ridícula contra os terroristas, em que fica claro um interesse mesquinho e egoísta, e não do bem público, fazem os jornalistas deste país. Só que em vez de deixar a população livre de “grupos terroristas”, eles nos salvam da maldita “esquerda”. Se bem que, ultimamente, essas expressões são tidas como coisas muito próximas. Infelizmente.
PS: Assistam "A Revolução Não Será Televiosionada"PPS: Fico meio impreciso e pseudo-esquerdista o texto né? Te fode, isso não é jornalismo, como já foi muito bem observado por mim mesmo no começo do texto.
PPPS: leiam o editorial ae embaixo, ó:
Um comentário:
preciso formar minha opinião a cerca desse assunto sozinha. mas tô com você até o momento. no mesmo barco. uhul
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